O que é comida de verdade? Parte 3

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nutricional

Nas últimas semanas, eu publiquei as Partes 1 e 2 deste artigo sobre o que é comida de verdade para mim. Só para lembrar, comida de verdade é integral e também antiga e tradicional. Agora, vamos à última caraterística:

Comida de verdade não precisa de informações nutricionais

Você já reparou como a quantidade de informações nutricionais cresceu nas embalagens de produtos alimentícios nos últimos anos? No início, apenas a lista de ingrediente bastava. Depois, veio a tabela nutricional. E agora, as empresas de alimentos ultraprocessados adoram adicionar frases nutricionais às embalagens como “sem colesterol!”, “baixa gordura!”, “apenas 100 calorias!” .

Eu fico pensando: antes de nutrição virar moda, como as pessoas escolhiam o que comer? Provavelmente usando os seguintes critérios:

  1. Está disponível na minha região e nessa época do ano?
  2. É gostoso?
  3. Eu me sinto bem ao comer?

Ou seja, as pessoas confiavam no corpo e no meio ambiente (natural e cultural) para decidir o que comer. Quando a indústria alimentícia entrou no circuito, escolher o que comer tornou-se tão complicado! O quanto de gordura tem? É gordura saturada? Tem muito carboidrato? Quantas calorias? Quais vitaminas?

Para mim, nada disso importa. Nas poucas ocasiões em que compro alimentos que têm informações nutricionais, a única coisa que eu checo é a lista de ingredientes. Eu sei o que são os ingredientes? São ingredientes integrais e tradicionais? Se a resposta for sim, eu compro. Se for não, não compro. Calorias, gordura, carboidrato — nada disso importa. Quando eu como comida de verdade o que importa é o básico: é gostoso? Eu me sinto bem quando como esse alimento?

Tento evitar principalmente as frases nutricionais na frente das embalagens. Quanto mais frases nutricionais um produto tem, menos eu confio nele. Por que afinal se o produto fosse mesmo “natural” ele sequer teria uma embalagem onde a palavra “natural” pudesse aparecer.

Comida de verdade não tem ingredientes, comidas verdadeiras são ingredientes. Quando compramos alimentos cheios de informações nutricionais, estamos comprando produtos alimentícios e não comida de verdade.

Essa nova maneira de escolher o que comprar e o que comer teve um enorme impacto no meu relacionamento com comida. Eu era tão preocupada com quantidade de calorias e gordura que não sabia sequer escolher o que comer fora desses parâmetros. Mas com o tempo, a pergunta mudou para “o que estou com vontade de comer?” em vez de “o que devo ou não devo comer?”. Comer o que o corpo quer é maravilhoso, experimente!

E você, como escolhe o que comprar no supermercado e o que comer? Compartilhe nos comentários abaixo!

Comentários

  1. Paula diz

    Gabi, tudo bem? Antes de qq coisa, parabéns pelo seu blog!
    Estou na fase de transição de vida diet/light com culpa para uma alimentação baseada em comida de verdade e prazer.

    Mas ainda me pego com algumas dúvidas en relação à alguns alimentos. Por exemplo: uma comida que minha vó fazia e eu adorava é estrogonofe. Mas toda vez que faço essa delicia em casa, fico pensando que nela está entrando um creme de leite que veio direto da prateleira do supermercado e me sinto culpada. Então fico na dúvida se estou sendo radical demais, se ele não é só um ingrediente de uma comida de verdade feita em casa, com carinho. Essa situação se repete com outras coisas….As coisas ultraprocessadas é fácil de identificar e tirar, mas tem alguns ingredientes que ainda não sei bem como fazer..
    O que vc pensa sobre isso? Como é sua experiência?

    • Gabi Moore diz

      Olá Paula! Essa pergunta é extremamente comum, e no início eu ficava também sem saber o que fazer. O importante para mim é ler os ingredientes e tentar escolher a versão de creme de leite mais próximo à que nossos avós consumiam. As vezes, no entanto, nenhuma das marcas que a gente acha do supermercado são boas… Nesses casos, você pode começar a pesquisar fazendas perto de onde você mora e ver se alguma vende creme de leite mais natural. Você pode também fazer seu próprio creme de leite, eu posso publicar uma receita aqui no blog! Se nenhuma dessas opções for possível, talvez o creme de leite passe a ser um indrediente que vc usa de vez em quando para alguma ocasião especial, e no dia-a-dia você faz receitas mais simples. O ideal seria termos tempo de fazer nosso proprio creme de leite, leite de côco, caldo de legumes, gelatina, ufa tantas coisas que não dá tempo! Por isso, é bom as vezes simplificar no dia-a-dia e deixar as receitas ou ingredientes que dão mais trabalho para ocasões especiais. Além disso, é bom também sempre ouvir o nosso corpo! Para mim, por exemplo, se eu como qualquer produto ultraprocessado eu começo a sentir uma vontade maior de comer doce e açucar. Eu já aprendi que meu corpo entra em desiquilibrio então tento evitar ao máximo. Para outras pessoas, no entanto, comer um pouco de creme de leite pronto de vez em quando não faz diferença. Experimente, e veja o que funciona para o seu corpo!

  2. Mamy diz

    Gabi estou adorando suas análises, fazem muito sentido para mim, o negócio é se reportar para época dos meus avós e vc para os seus bisavós, eles que comiam certo. Quero discutir muito esse tema com vc. Estou adorando, parabêns filha, estou orgulhosa de vc. Bjus com amor de sua sempre Mamy.

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