O que é comida de verdade? Parte 2

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feijao

Semana passada, publiquei a Parte 1 deste artigo sobre a ideia de que comida de verdade é integral. Agora, vamos à Parte 2!

Comida de verdade é antiga e tradicional

Quando penso em comida de verdade, tento imaginar a cozinha de meus bisavós. O que eles comiam? O que eles compravam e cozinhavam com frequência? E quais dos produtos que achamos hoje no supermercado eles sequer reconheceriam como comida?

Gorduras tradicionais e açúcar de verdade

Provavelmente uma das coisas que mais mudou nas últimas gerações é que nos tornamos super temerosos de gordura, e por isso a indústria alimentícia criou uma séria de óleos e outros substitutos para gorduras tradicionais que são vendidos como mais saudáveis. Enquanto nossos bisavós cozinhavam com manteiga e banha de porco, nós cozinhamos com margarina light e óleo de canola. O açúcar de verdade (de cana e não refinado), o mel e a rapadura também foram substituídos por adoçantes de baixa ou zero caloria, como aspartame e até açúcar light.

Com essas substituições perdemos muito do sabor e do prazer de comer, e ganhamos culpa e uma série de problemas de saúde associados a gorduras trans (presente em margarina e tantos outros produtos alimentícios), óleos vegetais industriais (como soja, milho, girassol e canola) e adoçantes artificiais.

Gorduras tradicionais e açúcar de verdade são deliciosos, e não precisam ser temidos quando aprendemos a escutar o nosso corpo e consumi-los na quantidade que é certa para cada um de nós. Quando eliminamos óleos e adoçantes industriais da nossa alimentação e voltamos a nossas origens, abrimos as portas para sabores incríveis!

Feito em casa

Antigamente alimentos como molho de tomate, caldo de galinha, biscoitos e bolo eram feitos em casa com ingredientes de verdade. Hoje em dia compramos tudo pronto no supermercado. O resultado é que consumimos muito mais sal e açúcar do que nossos bisavós e avós. Você sabia que até molho de tomate pronto tem açúcar? Além de uma série de outros ingredientes que seres humanos nunca consumiram antes com a frequência que consomem hoje, como aditivos, conservantes, corantes, aromatizantes e outros.

Também deixamos de dar valor a certos tipos de alimento e rituais. Antigamente, para comermos um bolo tínhamos que comprar os ingredientes, fazer a massa, esperar assar. Ufa! Comer bolo era um evento! Quando compramos bolos, biscoitos e sorvete prontos não damos o devido valor ao processo, e comemos sem prazer e sem dar importância ao ato de comer e saborear. Eu adoro o que Michael Pollan diz no livro Regras da Comida: “Coma todas as besteiras que quiser, desde que você mesmo as cozinhe.”

Quando comecei a preparar todo tipo de prato e guloseimas em casa, duas coisas aconteceram: 1) comecei a comer menos doces e outras guloseimas porque cozinhar dá trabalho; 2) parei de ter aquela vontade incontrolável de comer besteira toda hora. Os produtos alimentícios ultra processados que compramos no supermercado (incluindo os ditos saudáveis) são projetados para o consumo compulsivo! O uso de aromatizantes, açúcar e sal em grandes quantidades, corantes, e realçadores de sabor têm a mesma função: fazer você querer comer mais do que realmente precisa. Por isso, quando você não consegue parar de comer uma caixa de bombom não ache que é falta de força de vontade!

Métodos tradicionais de preparo

Quando digo que comida de verdade é tradicional, estou me referindo tanto aos ingredientes quanto ao modo de preparo. No Brasil ainda vejo algumas pessoas lavando o arroz e botando o feijão de molho antes de cozinhar, por exemplo, mas vários outros métodos tradicionais de cozinhar estão se perdendo.

Feijão, por exemplo, sempre foi preparado deixando os grãos de molho em água com um pouco de suco de limão (ou outro agente ácido como vinagre de maçã ou soro de iogurte) por 8 a 12 horas antes de cozinhar. Depois, jogue fora a água, lave os caroços para tirar o excesso da água de limão, e cozinhe em água ou, melhor ainda, em caldo feito em casa. Esse processo não só facilita a digestão de leguminosas como feijão e lentilhas, mas hoje também se sabe que ele inibe certos anti-nutrientes do feijão que interferem com a absorção de minerais no nosso corpo.

Muitos outros métodos tradicionais de preparo de certos alimentos começaram por razões práticas, como facilitar a digestão ou conservar alimentos por mais tempo, mas hoje sabemos que eles também contribuem para nossa saúde de maneiras incríveis. O processo de fermentação é um ótimo exemplo. Inventada para conservar legumes e verduras por muitos meses, hoje se sabe que as bactérias responsáveis pela fermentação são extremamente benéficas para a saúde do intestino e até fortalecem nosso sistema imunológico.

Vamos voltar a preparar, a valorizar e a saborear todas as delícias que fazem parte da nossa história!

Leia aqui a Parte 3.

Comentários

  1. heloisa padilha diz

    receitas e dicas… quero receitas e dicas! 🙂
    por exemplo, qdo vc fala da fermentação de legumes e verduras, vc está se referindo a quê? vc utiliza esse processo em casa? e vc diz que a fermentação é ótima para a saúde, no entanto não é melhor ingerir os legumes frescos e até mesmo crus?
    e qdo vc deixa o feijão de molho por várias horas, com gotas de algo ácido, é para jogar fora essa água antes de cozinhá-lo ou vc o cozinha nessa mesma água?
    perguntas, perguntas, perguntas… sorry!

    Ps> estou adorando esse seu blog!

    • Gabi Moore diz

      Ótimas perguntas! Vamos a elas

      1) Acho que vou escrever um post sobre alimentos fermentados! O mais comum deles hoje em dia é o iogurte, mas existem muitos outros que eu ainda tenho que pesquisar o nome em inglês: kefir, kimchi, sauerkraut, kombucha… Eu atualmente faço kefir (que é uma bebida fermentada) e sauerkraut em casa (repolho fermentado), mas iogurte eu compro pronto por que encontro opções de boa qualidade. Para mim, o melhor é consumir não só uma variedade de alimentos mas também uma variedade de métodos de preparo. Por exemplo, eu como repolho cru na salada, cozido em sopas, refogado num stir fry, e fermentado como sauerkraut.

      2) Sim, joga fora a água do feijão! Vou adicionar esse detalhe ao texto. Os anti-nutrientes (ácido fítico, melhor explicado no link que está no text acima) vão embora com a água.

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